Conversando com o Médium

Irmãos Médiuns, o Pai os chamou para servir no seu rebanho, esforcem-se para serem também os seus escolhidos. É fundamental a consciência da grandeza e da responsabilidade de ser um mediador entre o Céu e a Terra. Assim, sendo sabedores da dificuldade que muitos médiuns encontram para o melhor direcionamento de suas energias nas incorporações e também, do desconhecimento de outros, de sua posição e importância, antes, durante e após os trabalhos mediúnicos, é que sentimos a necessidade de expor algumas idéias, com o desejo de que possam ajudar a todos cada vez mais no seu progresso na Umbanda.

Em primeiro lugar temos que estar conscientes que a Umbanda sozinha não faz nada, nada é. Umbanda existe para os homens, para o seu crescimento e evolução. Da mesma forma que a Entidade para trabalhar precisa de um Médium (cavalo), para que possa vibrar suas energias e realizar sua Magia. Resumindo: ambos se precisam. A Entidade precisa do homem para a realização do seu trabalho, onde galgará a ascensão a esferas superiores e os homens para através dela absorverem o amor, a sabedoria e o progresso. E quanto maior for a harmonia existente entre o homem (médium) e a Entidade, maiores serão os proveitos advindos das sessões espirituais que forem realizadas.

E toda harmonia é fruto de um perfeito equilíbrio de forças, de uma total interação no trabalho, que somente não ocorre quanto o médium não o permite. Muitos imaginam que ser Médium é chegar ao Centra na hora certa, colocar a roupa branca, receber a Entidade e pronto. Não. Estas são apenas algumas obrigações, que todos, impreterivelmente, tem que cumprir, mas que nem de longe se aproxima da total significação de ser um “médium”.

A vida de um médium começa no momento em que chamado a trabalhar com as Entidades da Umbanda profere a palavra “sim”, ou seja, quando de livre e espontânea vontade aceita ser um Cordeiro de Deus. A aceitação terá que vir como um ato de satisfação, de alegria, de Amor, caso contrário você que se julga médium, hoje, não ajuda, não colabora, nada faz, quando não prejudica. Dizemos isso, porque, o pior dos defeitos do homem é a má vontade. Ninguém; Entidade ou homem pode obrigar alguém a fazer o que não quer e, um Médium, que se sinta obrigado a sê-lo, jamais poderá ser útil a um trabalho espiritual.

A partir da hora em que, de coração aberto, o homem passa a ser médium, toda a sua vida tem que girar em torno de seu trabalho espiritual. Porque? Porque um homem que trabalha com Deus, na pessoa de seus enviados, as Entidades, tem que ser especial. Não pode ser comum, senão não haveria a necessidade de templos, casa, terreiros, etc, qualquer um em qualquer lugar serviria. Não é mesmo? E sendo especial, o Médium tem atribuições e funções especiais. Sua vida particular, familiar, de trabalho, tem que ser revista sempre, procurando desenvolver a sua boa educação no tratar com os seus semelhantes, cultivando, continuamente, o Amor e Respeito ao próximo, bem como o respeito a si mesmo.

Mantendo, a cada minuto, um controle sobre seus atos, no que tange a alimentação, saúde, vícios desnecessários, desgastes emocionais e mentais, etc. Quanto ao sexo, temos a dizer que o ser humano é suado porque Deus o fez assim. Não podemos, pois, seja na Umbanda ou em qualquer outra religião proibi-lo. Porém, chamamos a atenção daquele que quer o melhor para si, quanto a forma de praticá-lo e ao nível de pensamento no ato sexual: se positivo haverá um relacionamento harmônico e compensador, se negativo, um relacionamento desregrado e desgastante.

Sendo observado todos os pontos acima abordados, o nível vibratório do Médium estará sempre elevado, permitindo que as incorporações sejam de alto valor energético. Quando em meio ao trabalho, propriamente dito, sessões, giras grandes, de passe, trabalhos festivos ou obrigações na mata; cachoeira; praia; etc., o Médium deve sempre observar as solicitações do Guia Chefe, acompanhando todos os seus movimentos e principalmente procurando vibrar pensamentos positivos, seja no momento em que se esteja dando um passe, fazendo um descarrego, riscando um ponto, etc.

Nossas mentes devem estar concentradas, dirigidas, ao “ponto” em que temos maior firmeza; uma cachoeira, um sol, uma praia, mata, um ponto riscado, imagem de um ou outro Orixá. Mantendo nosso pensamento longe de nós mesmos, em total desprendimento, pouco se importando com as pessoas presentes, se chove ou faz sol, com o calor, suor, barulho, casa, parente, cinema, namorada, esposa, marido, etc. Nada, nada mesmo, deve ser mais importante que o que se está fazendo naquele momento. A corrente que é a firmeza de uma gira é mais forte, na mesma proporção em que os médiuns são firmes e concentrados. Ficar duro que nem estátua, nada falar, fazer semblante de quem está orando e com o pensamento disperso, fragmentado, prejudica mais a Sessão, que o estourar de fogos na rua, é barulho, e pior, barulho dentro da gira. Pergunte ao seu guia.

Enfim, dentro de uma gira, o verdadeiro Médium, aquele que deseja o Progresso e o aproveitamento do tempo que gasta em seus trabalhos e que acima de tudo, carrega a sua Fé na Lei de Umbanda, em Pai Oxalá, nos Orixás e em todos os trabalhadores de Aruanda, sempre está de coração aberto, é fraternal, amigo, tolerante, vive em paz, prega o Amor e a Caridade, é Feliz, está sempre satisfeito com a Vida, agradece tudo que recebe, carrega Oxalá dentro de si 24 horas por dia, ora, faz da vida uma oração, contempla a beleza de todas as coisas feitas por Deus. Não critica, não julga, não rejeita, mas compreende, ajuda e trabalha para o bem de todos. Não lamenta, pragueja ou blasfema contra a má sorte, ao contrário, faz do tropeçar um impulso para o progredir.

Nas giras medita, concentra, vibram firma, canta, dança, se doa, ama. Ao partir para sua casa, vai em graça, em Amor, em alegria, pois sente a consciência limpa, o trabalho realizado, a casa arrumada. Você é assim? Oxalá o agradece. Você não é assim? Não perca mais tempo, Oxalá o espera de braços abertos. Salve a Umbanda.

Conversando com o Médium – Adolfo Anacleto Leal Ferreira
Revista “A Pomba Branca” edição de 1998

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2 Responses to Conversando com o Médium

  1. Paulo disse:

    Irmãos bom dia! Recentente eu enviei um e-mail para a Associação, o qual estou esperando respostas. Sou Médum e estou precisando de ajuda para dar continuidade ao meu processo de desenvolvimento. Procuro um Templo de Umbanda ou de Candomblé para desenvolver e trabalhar minhas entidades. Qureo dizer que hoje eu estou mais conciente sobre a mediunidade e quero levar a sério este assunto, e por isso estou buscando ajuda. Espero poder contar com todos os irmãos Candomblecistas e Umbandistas que possam me acolher para que isso se concretize, obrigado e Axé a todos os irmãos de Fé!

  2. umbandaminas disse:

    Olá irmão!! Agradecemos imensamente a atenção e pedimos que para assuntos de indicações o irmão nos faça uma visita! Estamos na Rua da Bahia, 1148. Sala 1432 – Bairro Centro – Belo Horizonte – Minas Gerais CEP 30.160-011 Telefone: 3224-5293

    Muito Axé e que Deus abençoe a todos!!

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